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31/12/2004 10:05

RESUMO DE TUDO

Om mani peme hum. Acabou. Finalmente, esse ano acabou (aliás, para ser preciso, acabará nas próximas catorze horas, em contagem regressiva). O ano foi intenso. Guerra no Iraque, na Palestina, na África, no Haiti e em outras latitudes. Desastres naturais. Sacanagem capitalista internacional. E tudo aquilo que vocês já sabem. No campo da literatura, porém, rolaram coisas boas. Logo no começo do ano, surgiu a editora Lamparina, no Rio de Janeiro, publicando o Elogio da Punheta, do Sebastião Nunes, a antologia Pegadas Noturnas, do Glauco Mattoso, o livro de ensaios A memória das coisas e o de ficção O livro de Zenóbia, de Maria Esther Maciel, o excelente Nômada, do Rodrigo Garcia Lopes, entre outros títulos.


Mais para o fim do ano, o evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Itaú Cultural, reúne cerca de 90 poetas e escritores para um ciclo de debates sobre a criação literária. Centenas de pessoas participaram do evento, mostrando a falácia de quem diz que não há interesse pela literatura. Quase ao mesmo tempo, Ademir Assunção lidera (sorry, Ademir) o movimento Literatura Urgente, que entregou propostas ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, e deve ter continuidade em 2005 (aguardem!). Para coroar o ano, a Casa das Rosas, que recebeu o nome “Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura” recebe os 35 mil volumes da biblioteca do titã concreto e já começa a desenvolver importantes ações culturais, sob a direção de Frederico Barbosa. Isso, sem falar da FLIP, do Telecom e coisas assim.


ABSURDO DO ANO: não concederem o primeiro prêmio do Telecom ao poeta Augusto de Campos.


Lançamentos de livros? Começando com os meus (claro): o de ficção Romanceiro de Dona Virgo, que saiu pela Lamparina, e Jardim de camaleões, a poesia neobarroca na América Latina, publicado pela Iluminuras. Fred lançou a antologia A consciência do zero, também pela Lamparina, Horácio Costa lançou uma importante antologia de sua obra poética, o Fracta, e Ronald Polito várias traduções de poetas catalães que ninguém conhecia no Brasil. Fabrício Marques publicou o Dez conversas, reunindo entrevistas que ele fez com diversos autores, e o André Dick lança Papéis de parede. O melhor livro do ano, porém, in my opinion, is Galáxias, de Haroldo de Campos, relançado pela editora 34. Leitura obrigatória, mais importante que a Bíblia, o Talmud e o Alcorão.


E tem ainda as traduções que Haroldo fez de Ungaretti (junto com Aurora Bernardini), que a Ateliê editou há pouco; o terceiro volume das Obras Completas do Mário Faustino; o Catatau de Leminski, enfim relançado, e o inédito O gozo fabuloso, de contos, que ficou décadas na gaveta; o que mais? Os amigos que me perdoem, mas é o que me lembro agora. Revistas? De papel, a Coyote continua arrasando, a Azougue do Sérgio Cohn também, e agora pintou na área a Oroboro, editada por Ricardo Corona e Eliana Borges. Na Web, Zunái continua resistindo, junto com suas primas-irmãs Errática e Mnemozine. Está de bom tamanho, não é? Em 2005 virá muita, mas muita coisa nova, aguardem (entre elas minha antologia poética pessoal, Figuras Metálicas, pela coleção Signos, da Perspectiva). Ufa, cansei de escrever! Xau, já fui! Até 2005,

Claudio Daniel

enviada por Claudio Daniel






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