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16/12/2004 09:03
O SORRISO DO LEONARDO
Dissecar cadáveres
para buscar
a perfeita anatomia.
Libertar pássaros
nos mercados
da Itália renascentista.
Beleza clara
cabelos e barba
emaranhados
luz em desalinho.
Toga cor-de-rosa
levita na pele
suntuosa de gênio
- inocência serena
Leonardo, in carbón,
copiando a própria beleza,
em sorrisos negados.
Sorriso de Leonardo
inauguraria um novo sol,
aplacaria o brilho do astro
- seu sorriso imaginado
seus quadros incendiados
nos conduzem enquanto
vamos dissecando o verbo
com fúria encantada
Desejo leonardino
de libertar o poema
e revelar a musculatura
exata de cada palavra.
(Do livro O sorriso de Leonardo, de Bárbara Lia, publicado pela Kafka Edições Baratas, de Curitiba. Tem belos poemas nesse livro.)
CHINA
NUNCA, olho-
do-mistério,
cauda de pavão.
Larva, nem crisálida;
onde pousa, branca,
em que pétala,
asas em qual flor,
abelha, se o aroma?
O que retine ao sol,
vibra folha de
peônia , dedo não
é lua, nem há pó
ou espelho; Cathay,
tudo é vazio, mas
olhe, tanta beleza
e sopra o vento
de outono.
(Poema de Claudio Daniel, do livro A Sombra do Leopardo)
enviada por Claudio Daniel
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