Cantar a Pele de Lontra


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22/12/2004 08:41

PÉRSIA

E NÃO TER mais fim.
Noite é espelho
de teu ventre,
bebe dessa fonte,
cessa toda água;
dança outra música,
nem há cordas
ou sopros, então
rasga tua roupa,
nem há trapos;
chora, não há mais
lágrimas. Fogo, arde
o que me queima;
terra, engole-me
num trago. Só canto
e danço os noventa
e nove nomes
de Allah, e rodopio.
Para que fermente
o vinho; e enlouqueça
em seios brancos;
e não diga nada; nem
saiba onde ou quando,
só amor de amor. Sei,
eu sou tu; agora,
sou eterno.

(Poema de Claudio Daniel, do livro A Sombra do Leopardo)



enviada por Claudio Daniel






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